Viajando pelo Brasil

Goiás (série 277)

 
pag 22


Boi de Sela

“O Estado de Goiás conta com mais de quatro milhões de cabeças de gado e são famosas as sua tropas e boiadas. No interior goiâno é muito comum o uso do boi de sela, servindo de montaria.”

 

O Boi-de-sela é utilizado como montaria nas fazendas de criação de gado da Ilha de Marajó e do Pantanal Mato Grossense. O uso do animal parece estar ligado à ocorrência de tripanossomíase, doença que afetava os cavalos nas áreas referidas. A doença teria aparecido em Marajó pela primeira vez em 1828, constituindo verdadeira epidemia até aproximadamente 1836, quando quase todo o gado cavalar da região foi extinto, sendo substituído pelo Boi-de-sela. Em vez de freio, esses animais são controlados por uma argola, presa no focinho através de um furo no septo nasal, á qual se ligam às rédeas. Uma vantagem na utilização do boi como transporte, é que estes animais são mais resistentes ao período de enchentes.


Fontes:


Grande Enciclopédia Delta Larousse, Editôra Delta S.A - Rio de Janeiro, 1970. PAG. 918.

www.escolavesper.com.br/historia/folclore.htm

www.brasilcultura.com.br/conteudo. php?menu=90&id=1017&sub=1055


www.bvsalutz.coc.fiocruz.br/html/pt/ static/trajetoria/instituto/instituto_mal_cadeiras.htm - 26k


Transporte de Água



“No sertão goiâno é raro o serviço de água corrente. As populações se abastecem nos poços, cacimbas, rios ou fontes. É uma cena típica e comum a ida e vinda de homens e mulheres transportando água em latas, potes, jarras ou barris.”
 

Até a criação de Brasília a cidade de Goiânia era a mais nova capital do país. No início do século XX, a capital do Estado de Goiás era a Cidade de Goiás, surgida durante o ciclo de mineração e que se encontravam em profunda decadência. Afastada do centro econômico do Estado, localizada num sítio pouco propício ao desenvolvimento urbano, sofria de deficiente abastecimento de água e de precário suprimento de energia elétrica. Decidiu então o governo estadual transferir sua cede para o local situado no centro demográfico do Estado e onde pudesse contar com transporte ferroviário. Assim, em 1933, foi decretada a mudança para a chamada zona de Mato Grosso de Goiás, onde se desenvolvia uma ativa frente pioneira, estimulada pela aproximação da estrada de ferro que em breve a ligaria a região do triângulo mineiro.

Fonte:
Grande Enciclopédia Delta Larousse, editora delta S.A- Rio de Janeiro , 1970 –PÁG. 3095.


Carro de Boi

O carro de boi foi, sem dúvida alguma, um dos fatores que muito concorreram para o progresso rural do Brasil. Primeiro veículo de transporte que a nossa terra possuiu, o carro de boi, "afundando o chão" virgem do Brasil-Colônia e Império, nele escreveu, com os sulcos paralelos de suas rodas pesadas e maciças, os primeiros capítulos da história do povoamento e agricultura nacionais.

"O carro de boi, tão conhecido e usado em todo o interior do Brasil, tem muita aplicação no interior goiano. Dizem que o carro de boi “afundou o chão” da nossa terra marcando desde os primeiros tempos da nossa história os caminhos da agricultura e da fundação de fazendas e cidades brasileiras."

 

O uso do carro de bois como meio de transporte de cargas praticamente desapareceu, mas a tradição se mantém, como em Goiás. Neste estado existe uma romaria feita nesses carros, que se deslocam em caravanas engrossadas a cada entroncamento, carregando o “de um tudo” para a viagem. Os mestres da fabricação do carro não tem sucessores, mas espera-se que em alguma tese um pesquisador recupere todo o processo de construção, que inclui a escolha das madeiras ainda árvores e a determinação da melhor época para a derrubada, e os trabalhos de serraria e forjamento das ferragens. Para cada peça existe uma madeira própria: a do canzil (peça da canga) leva o nome de canzileiro.

Fabricar um carro de bois é uma especialização que beira a arte, pois cada mestre imprime seu estilo. Um detalhe interessante é que o cantar do carro resultante do atrito do chumaço (mancal de apoio do eixo) com o eixo, é aproveitado para conferir ao carro uma identidade através de uma espécie de afinação da qual resulta cada carro ter um cantar próprio, inconfundível, que permite, à léguas de distância, saber que o fulano está saindo com o carro carregado e em qual direção. O carro de bois é um exemplo de trabalho solidário, pois todos os bois puxam juntos sem perder a sua especialização: os de coice garantem o equilíbio do carro e o seguram quando de ladeira abaixo; os do meio puxam seguindo a junta de guia; e os da guia seguem o “candieiro”.“Candiar” um carro é, geralmente, serviço de menino, pois o “motorista” é o “carreiro” que caminha ao lado do carro ou vai sobre ele, na posição das braçadeiras. O carreiro deve ser uma pessoa calma, amigo dos bois, mas com autoridade para ser obedecido nos comandos verbais.

Fonte:
www.serrano.neves.nom.br/textafins/1tsa.pdf+carro+de+bois


Índios de Goiás

O Estado de Goiás, de acordo com o IGPA, começou a ser ocupado por grupos indígenas muito antes da chegada de Pedro Alvares Cabral. "Esta ocupação humana iniciou-se, pelo menos, 10 mil anos antes do presente", afirma documento do Instituto. Esses grupos indígenas viviam inicialmente em bandos, eram caçadores - coletores nômades, instalavam-se, temporariamente, em abrigos sob rochas ou em locais abertos. Lascavam e utilizavam instrumentos de pedra com grande habilidade.

Posteriormente, em torno do Século IX, além do conhecimento da transformação da pedra, também utilizavam a argila para confecção de vasilhames cerâmicos, relacionados principalmente a uso doméstico e praticavam a agricultura. No século XVIII, os colonizadores, no intuito de explorarem as jazidas de ouro, encontraram as sociedades indígenas assim distribuídas: o grande grupo Kaiapó dominava todo o sul de Goiás - suas aldeias localizavam-se na região do rio Claro, na serra dos Caiapós, em Caiapônia, no alto curso do rio Araguaia e a sudeste, na região próxima ao caminho de Goiás para São Paulo.



“ Na época do descobrimento do Brasil, os índios ainda estavam na fase da caça e pesca e da lavoura rudimentar. Nas selvas de Goiás os Chavantes, Tapires, etc., vivem ainda como seus antepassados mas sua lavoura é ainda mais primitiva.”

 

Ao longo do século XIX, à medida que se consolidava a colonização no Brasil Central, várias aldeias indígenas foram destruídas, seja pelas guerras entre índios e colonizadores, seja pela formação de aldeamentos indígenas oficiais ou por epidemias. Além de aldeias, etnias inteiras desapareceram do território goiano.

No século XX, Goiás possuía, anteriormente à sua divisão em dois estados (Goiás e Tocantins), as seguintes áreas indígenas: os Apinajé, que habitavam aldeias da região de Tocantinópolis; os Krahó, com seus territórios definidos entre os municípios de Itacajá e Goiatins; e os Xerente, encontrados na região de Tocantínia e nas proximidades da área em que se construiu a cidade de Palmas, capital do Estado do Tocantins. O grande grupo Karajá ainda se encontra em todo o território compreendido pela Ilha do Bananal e ao longo do Rio Araguaia, ao norte, onde vivem os Xambioá.

Ao Estado de Goiás, após a divisão, restaram os Karajá, desde há muitas décadas radicados em Aruanã; os Avá-Canoeiro que, na década de 1980, tiveram sua área interditada na região do rio Maranhão/Tocantins, vivendo parte deles ainda nesta área e outra parte na Ilha do Bananal. Os Tapuia do Carretão, remanescentes de antigas etnias aldeadas no aldeamento de Pedro III do Carretão, no século XVIII, encontraram-se onde hoje ficam os municípios de Rubiataba e Nova América.

Fonte:
http://www.ucg.br/flash/Flash2006/Abril06/060419igpa.html


Índios Fiando Algodão

A Missão Rondon não foi importante somente para o desenvolvimento econômico do país, mas também para o processo de civilização dos povos indígenas. O líder da maior missão de lançamento linhas telegráficas, Marechal Cândido Rondon foi também a figura chave para a desmistificação da imagem violenta dos índios.

Ao final da missão, os índios encontravam-se cheios de novos costumes e maneiras. Cândido Rondon, fez o possível para proporcionar aos povos indígenas técnicas e ferramentas que os ajudassem em seus afazeres diários.


“Depois da Missão Rondon foi que os índios conheceram novos instrumentos de trabalho, passaram a vestir-se e alguns deles aprenderam ofícios e cursaram colégios. Os Ariti, às margens do Juruena, empregam hoje suas atividades na fiação do algodão.”
 

Hoje, os grupos indígenas de Goiás trabalham na produção de artefatos e indumentária, e criam artigos através de operações individuais. Mas o artesão nem sempre se torna o proprietário do novo bem, principalmente em relação aos instrumentos de trabalho.

Grande parte dos materiais empregados na elaboração do artesanato é de origem nativa – madeira, embira, fibra de buriti, algodão etc.

Do fio do algodão, os índios tecem faixas, tangas, túnicas e outros acessórios que são, em geral, utilizados por toda a tribo em todo tipo de cerimônias e rituais A produção dos fios de algodão para confecção dos artefatos é tarefa feminina. Para a preparação dos fios, utilizam uma espécie de fuso com disco de pedra, que é relativamente comprido, grosso e pesado. O instrumento é composto ainda de eixo ou haste, e a rodela; O eixo é feito de paxiúba. O fio é colocado neste eixo e a rodela é colocada perto da extremidade inferior, servindo de suporte para o fio aprontado.

Mas os índios utilizam-se também de produtos industrializados, como contas e miçangas de porcelana e vidro, fio de lã e de algodão, lata, prego, corante etc. Dentre esses itens, o fio de lã compete com o de algodão nativo e tende em alguns casos (como para a confecção de redes de dormir) a substituí-lo integralmente.

Fontes:
http://www.ronet.com.br/marrocos/rondon.html
https://www.socioambiental.org/pib/epi/kamaiura/ativ.shtm


Nos Êrmos e Gerais



“ No interior do Estado do Goiás o homem não vive somente das boiadas, do plantio e desbravamento das matas. Sabe também divertir-se, tocar e cantar suas cantigas regionais, tão conhecidas no folclore nacional.”
 

Na região de Goiás vamos encontrar o índio e o branco, como os principais elementos do folclore local. Os Bandeirantes, fixando-se com suas famílias na região foram criando vilas e cidades, sendo sua principal atividade o garimpo, uma vez que o ouro e as pedras preciosas afloravam nesta região.

Os instrumentos de trabalho de um garimpeiro são pás, picaretas, batéias, peneiras entre outros. Encontramos em Goiás como atividade artesanal o trabalho feito em tear manual onde velhas tecelãs, misturando os fios de algodão de várias cores em diferentes pontos, fazem lindíssimas colchas, roupas infantis e de cama sendo os tecidos tingidos com tintas corantes.

Existe nesta região a Cavalhada , um folguedo que nos foi legado pelos portugueses e que simboliza a luta entre os cristãos e os mouros. Os cristãos vestem-se de branco e azul, cores do céu e da pureza, com espadas retas que simbolizam a retidão da justiça.

Os mouros, de vermelho e verde, cores da chama do inferno das amarguras, com espadas curvas simbolizando o mal. E cada grupo procura trajar-se mais ricamente que o outro. É a representação da conversão onde o bem luta contra o mal e o vence.
Há diversas tribos de índios localizadas no extremo norte de Goiás, sendo as principais : Os Tapirapés, os Carajás e os Javaés. Algumas tribos enfeitam o lábio inferior, as orelhas e tatuam o rosto. Outras, colam com uma resina flocos de algodão nos braços e pernas .

Fontes:
http://www.brasilnoar.com.br/brasil/folclore.asp
http://www.brasilcultura.com.br/conteudo.php?menu=90&id=1021&sub=1063


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