Viajando pelo Brasil

Acre (série 279)

 
pag 24


Trechos de um Rio

Os rios, neste estado, constituem-se no mais importante meio de transporte margeando-os também se originam vários povoados.As maiorias das cidades acreanas localizam-se às margens dos rios. No percurso desses rios encontramos diversos andares de vegetação, entremeados de cipós, formando massa densa e sombria, da qual se salientam árvores gigantescas de quarenta e mais metros de altura. A vegetação avança para o rio, protegendo as margens contra a erosão.

“Largos, longos e belos são os rios da Amazônia. No Acre, há grandes rios como Purus e o Juruá, tributários do Amazonas conhecido como “rio Mar”. As margens do rio apresentam uma vegetação variada e densa e uma quantidade infinita de aves, macacos e outros bichos.”

 

Estes rios seguem a direção Sudoeste-Nordeste e pertencem todos à rede hidrográfica do Rio Amazonas. As formas paralelas e as mudanças na direção dos cursos são características comuns dos rios do Acre. Outra peculiaridade é a distribuição da rede, a qual corre sobre rochas sedimentares e não forma cachoeiras.

O rio Purus nasce no Peru e é considerado o segundo maior representante da drenagem no estado, seu curso é sinuoso e meândrico. Da montante (fronteira com o Peru) para a jusante (próximo a Sena Madureira) o curso do rio se afasta ou se aproxima da borda da planície deixando um lado do meandro abandonado. Estes meandros ocupam uma extensão muito grande e são encontrados em várias idades – quanto mais afastados do leito atual, mais antigos – e fases de preenchimento (colmatação).

Já o rio Juruá nasce a 453m de altitude no Peru onde recebe o nome de Paxiúba, une-se ao Salambô e a partir daí forma definitivamente o Juruá. Com 3.280 quilômetros de extensão atravessa o Acre (porção noroeste) de Sul a Norte em direção ao Amazonas, onde deságua no rio Solimões. É caracterizado como rio de planície, é sinuoso em praticamente todo seu percurso.


Fonte:
http://www.ambientebrasil.com.br/composer.php3?base=./
estadual/index.html&conteudo=./estadual/ac8.html


Abrindo Valas



No Acre e no Guaporé, a terra era chamada “inferno verde” em virtude das febres que matavam centenas de pessoas. Agora, porém, com o piano de saneamento que se vai desenvolvendo em todo o País, dentro de pouco tempo já não haverá mais o “inferno verde”.
 

Quarenta anos atrás, o governo Brasileiro deu início a um projeto de integração da região Amazônica ao restante do Brasil que foi baseado num modelo que priorizava a ocupação da região. Esse projeto integracionista tinha como justificativa a percepção de que a região continuaria estrategicamente vulnerável se permanecesse "vazia" e subutilizada economicamente. Naquela época a Amazônia era considerada o "Inferno Verde" ou o "vazio demográfico".

Para muitos era difícil penetrar a Amazônia por causa dos males e das doenças malignas que eram os grandes inimigos dos seus habitantes. Para acelerar o processo de incorporação da Amazônia aos centros dinâmicos de desenvolvimento do Brasil, as políticas públicas priorizaram a abertura rápida de fronteiras através da construção de rodovias (por exemplo, a Belém-Brasília e a Transamazônica), da implantação de projetos de colonização agrícola, da expansão do setor agropecuário, através de incentivos fiscais e creditícios e, num segundo momento, através do investimento público em grandes projetos (tais como Grande Carajás e Tucuruí).

Fonte:
http://www.ipam.org.br/publicacoes/avancabrasil/
ppa.php?session_id=c467ea06e8d9d04ae951c23b66c3baf5

 


Mulher Indígena

Cabe aos homens desmatar e fazer a queimada da área de floresta ou de capoeiras velhas para a constituição das roças. A partir de então, o trabalho torna-se feminino, desde a escolha das variedades de mandioca ou das outras espécies cultivadas até o preparo dos alimentos. No longo trabalho de produzir os diferentes derivados da mandioca (manicuera, tucupi, tapioca, baiji, mingau, farinha), as mulheres gastam praticamente todo o dia.

"No Guaporé ainda existem muitos índios quase todos pacificados pela missão Rondon. A mulher indígena sabe caçar, pescar, faz seu roçado, tece cestos e faz farinha ajudando ainda os índios em outros misteres."

 

Depois de preparar a primeira refeição, as mulheres vão à roça colher, fazer o replantio e limpar o terreno; às vezes vão às capoeiras das roças antigas, à procura de frutas que continuam produzindo depois que as roças são abandonadas. Em casa se desdobram entre ralar a mandioca, carregar água do rio para lavar a massa, buscar lenha para o fogo, preparar comida e cuidar e dar atenção para as crianças menores. Desde muito cedo as meninas ajudam sua mãe, no começo apenas entretendo seus irmãozinhos menores para que os adultos possam trabalhar, e depois ajudando em tudo.

Ainda na divisão sexual das tarefas do dia-a-dia, o trabalho artesanal das mulheres restringia-se, tradicionalmente, à produção de cerâmica e cuias, fiação de tucum para cordas, enquanto aos homens cabia a produção dos objetos cerimoniais e toda a cestaria (com exceção dos aturás de cipó, trançados por mulheres maku).
Em muitas culturas indígenas, a mulher ocupa o lugar de geradora e protetora da vida da família. Seu trabalho pesado, constante, silencioso, garante o cuidado e o alimento diário, representado pelo fogo sempre aceso no interior da oca. Seu pensamento, em surdina, contribui discreta e decisivamente nas posições do marido. Fora desse contexto, a mulher indígena é vista como beleza exótica, sedutora, ilustrando as propagandas de turismo ecológico, atraindo turistas. Porém, a realidade é mais dura, quando o sustento da família já não vem mais da roça e as exigências são outras, ditadas pelo consumismo.

Fontes:
http://200.170.199.245/pib/epi/nwam/subsist.shtm
http://www.editorasalesiana.com.br/cfdocs/boletim_interna.cfm?idmat=99


Regatão

Os regatões são traficantes que levam, em canoas, por todos os rios, lagoas, furos e lugares, mercadorias estrangeiras e nacionais, e as vendem a dinheiro, ou as permutam pelos produtos do país. O comércio interior do Amazonas não se fez geralmente por intermédio da moeda, mas pela troca de objetos.” (Tavares Bastos)



“Regatão” é o negociante ambulante dos rios e lagos da Amazônia que viaja em lanchas ‘gaiolas”, barcos e batelões; comprando e vendendo a beira dos rios, nos trapiches, vilas e barracões.”

 

O regatão estabelece-se na foz dos grandes rios; ali, ele enche os batelões de cachaça, querosene, sal, charque, fósforos, fumo, munição para armas de fogo, quinquilharias, fazendas ou tecidos ordinários, roupa-feita para homens e mulheres, agasalhos, cobertores e mil bugigangas outras. Lotados, os batelões, eles se assemelham a verdadeiros bazares, flutuantes. E o regatão sobe os rios à procura da freguesia, composta de seringueiros, essa população infeliz que tenta a sorte nos socavãos dos igarapés, furos e à margem dos afluentes do rio Amazonas.

Eles trocam as suas mercadorias por bolas-de-borracha, peixe-salgado, rede de tucum, chapéu feito de fibra de palmeira, peneiras, abanos, e outros utensílios produzidos pelo artesanato, do inferno verde, que é a Amazônia. Quando o regatão desce o rio, regressando à sede, os batelões vêm cheios de produtos feitos por aquelas mãos calosas e doentias dos parias infelizes, habitantes da Amazônia.

O típico “regatão” apesar da evolução por que ainda venha a passar _ jamais desaparecerá, ao que parece, porque em verdade não passa de um tipo social surgido das contingências do meio.

Fonte:
http://jangadabrasil.com.br/junho34/of34060c.htm


Pacificação dos Índios

A exploração do Norte do País seguiu, desde o século XVII, as veias dos grandes rios, em busca principalmente das chamadas drogas do sertão e da mão-de-obra indígena, para abastecer a metrópole e os empreendimentos coloniais. A redução e a catequese dos índios coexistiam com a sua escravização, através da guerra justa e dos resgates. Os descimentos e o aldeamento atendiam à necessidade de catequizar os indígenas e de suprir a colônia com mão de obra para os colonos, para os serviços públicos, remeiros, coletores e sobretudo para a defesa contra os inimigos dos colonizadores e da Coroa portuguesa. Aqueles grupos que se opunham ao aldeamento ou não aceitassem a fé católica ou que simplesmente insistissem em praticar costumes inaceitáveis para os portugueses, como a guerra aos inimigos e a antropofagia, eram enquadrados como inimigos e passíveis de guerra justa e de escravização.

No século XVIII várias expedições foram realizadas pelos rios Juruá, Purus e Madeira, quando soma-se à necessidade de drogas e de mão-de-obra, a urgência de assegurar as terras, através de alianças com as tribos. Fortes militares e missões foram as formas de defesa dos territórios e civilização dos gentios, formas também de perseguição e aniquilamento daqueles que não aceitavam o aldeamento e a catequese. A exemplo dos Manao contra os quais se moveu uma guerra justa, exterminando-os. No século XVIII ainda tornaram-se tristemente famosos os Autos da Devassa contra o gentio Mura, quando colonos e autoridades do Grão-Pará, inclusive missionários, de tudo se valeram para incriminá-los e obter a permissão de uma guerra justa. Não logrando autorização para a guerra, os Mura foram contudo atacados todos os anos por tropas e expedições punitivas, até a sua rendição e quase total aniquilação.



“A obra do General Rondon, na pacificação dos índios, é uma das páginas gloriosas da nossa história. Entretanto todos os perigos, penetrando grandes selvas, descobrindo terras e catequisando índios, o General Rondon sempre fez valer sua divisa: “Morrer se fôr preciso; matar, nunca”
 

A região de que nos ocupamos agora, as bacias dos rios Juruá, Jutai, Purus e Madeira conheceram o 1º grande boom extrativista, quando o Amazonas era o único produtor de látex da seringa, a partir de 1840 e que se estendeu até a 2ª década do século XX. Os povos indígenas das bacias mencionadas foram submetidos pelos coronéis dos barrancos e engajados na extração da seringa com a conseqüente perda de terras e desorganização social. O avanço e implantação do extrativismo ensejou guerras contra grupos arredios, como vários grupos Tupi-Kawahib no rio Madeira e seus afluentes.

O governo brasileiro criou o Serviço de Proteção aos Índios - SPI, em 1910, sob a direção do então coronel Cândido Mariano da Silva Rondon , um militar positivista que ganhou projeção na instalação de redes telegráficas no interior do país, com uma proposta de não agressão às comunidades indígenas contatadas.

O Positivismo constituiu-se numa fonte privilegiada para o tratamento da questão indígena e Cândido Mariano Rondon constituiu-se na grande referência no tratamento da questão em função de seus métodos de atração dos povos indígenas em áreas por onde passariam as redes telegráficas.

Em 1967 foi criada a Fundação Nacional do Índio – FUNAI, vinculada ao Ministério da Justiça. O órgão propunha solucionar a questão indígena, transformando os índios efetivamente em brasileiros, integrando-os à nação, ao mesmo tempo que assimilando-os culturalmente ao seu povo. Para alcançar esses objetivos era fundamental priorizar a demarcação de terras, ampliar o contato com os povos autônomos, proporcionando educação formal, cuidando da saúde, possibilitando que a economia indígena fosse integrada ao mercado. Tudo isso, a partir da auto-suficiência do próprio órgão.

Em todo o Brasil, nos últimos anos, vem crescendo um movimento indígena que se expressa através da multiplicação de organizações locais e regionais. Estas organizações, além das lutas imediatas, começam a delinear uma estratégia própria, critérios peculiares de aliança e objetivos de médio e longo prazos.

No bojo do crescimento desse movimento, surgiram inúmeras lideranças e organizações indígenas que buscam articular-se entre si e com o movimento social mais amplo. A Amazônia foi e continua sendo um território particularmente fecundo nesse processo. A UNI- Acre e Sul do Amazonas, representando onze povos indígenas e a COIAB - Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia Amazônica, representando trinta e duas organizações indígenas, são as duas mais importantes expressões deste movimento na região.

Fonte:
http://www.opan.org.br/opan_textos30anos_seminarios.asp?codsem=03


A Selva



"No Acre e no Guaporé, o caboclo vive cercado da mata virgem, caçando, pescando, rompendo a mata, abrindo roçado e varando os rios. Anonimamente, sem conforto, mas persistente e corajoso êle vai colaborando e trabalhando pelo Brasil."
 

Esta região é conhecida pelos biólogos como "Pantanal do Guaporé". É uma grande área de florestas e campos inundáveis ao longo da fronteira entre o Brasil e a Bolívia. É uma zona de transição entre Amazônia, cerrado e pantanal mato-grossense. A prova disso é a presença de aves como o tuiuiú, comuns no pantanal. A chuva no vale do Guaporé tem a precisão de um relógio. Cai sempre no fim da tarde, todos os dias. Uma precipitação média de 2 mil milímetros. Entre novembro e abril, durante a estação das chuvas, o nível das águas sobe até seis metros. Seis meses depois, a seca. Canais e varjões viram filetes de água. É quando aparecem ilhas e nas margens do rio extensas praias e áreas de vegetação com arbusto. O ciclo regular é a fábrica dessa grande diversidade e produtividade que tornam o Guaporé um dos ecossistemas mais ricos e fascinantes da Amazônia.

Fonte:
http://eptv.globo.com/terradagente/terradagente_interna.asp?140556


<< anterior
[Viajando BR]
próxima >>