Y-JUCA-PYRAMA
Coleção: Raimundo Pereira
Texto extraído do verso das estampas

Quando o índio ia guiando seu pai pela floresta, o velho ao querer segurá-lo melhor viu que seu filho não estava com o cocar de penas. Compreendeu então que o filho tinha caído prisioneiro e que tinha fugido. Então ele disse: Um bravo não foge à morte. Vamos voltar para lá.
E partiram.

Chegando na taba dos Timbiras estes se reuniram novamente para ver o que desejavam os dois índios. Tupis. O chefe Timbira, dirigindo-se ao índio cego perguntou-lhe o que tinham vindo fazer na taba inimiga.

O índio cego disse então que seu filho era um bravo, um forte e que deveria morrer com honra. O chefe Timbira disse então que não, pois, os Timbiras apenas matavam os prisioneiros que eram corajosos e o jovem índio Tupi não merecia a honra de ser sacrificado pelos Timbiras. E enquanto o chefe Timbira falava, o jovem índio virou as costas e ficou pensando o que deveria fazer.

Então, na frente da tribo, o índio cego virando-se para o filho disse: Tú choraste em presença da morte? Tú não és meu filho e eu não preciso mais de ti. Pensei que meu filho era um guerreiro valente e nobre. O índio ouviu tudo aquilo impassível enquanto os Timbiras ficaram com pena do índio cego.

Então, depois que o pai falou, o índio jovem querendo mostrar ao pai que era um forte, tomou de um tacape e começou a lutar furiosamente com os Timbiras, matando muitos deles e provando que era forte e corajoso. (brasilcult)

Vendo que o índio guerreava como um valente, o chefe Timbira mandou parar a luta e disse que concordava em sacrificá-lo como se fazia naquela época com os guerreiros corajosos. O pai, ouvindo aquilo ficou muito contente e correu a abraçar o filho que, afinal, ia morrer exatamente como morriam os chefes valorosos. E assim terminou a história.

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