As Fábulas de Esopo Modernizadas

A Turquia e a Alemanha

O Lobo e a Cegonha

O lobo engasgado pede a cegonha que lhe tire o osso atravessado na garganta.; a cegonha o extrai com seu bico e pede recompensa pelo seu trabalho. Mais recompensa !, exclama o lobo, porventura não fostes bastante recompensada quando deixei de devorar a tua cabeça ?
Esta imagem aqui se reporta a aliança entre a Alemanha e a Turquia, lembrando que esta terá de se contentar com bem pouco reconhecimento pelos serviços prestados.

Fonte: Tuck`s Post card texto no verso do postal desenhado por F Sancha , 1915 circa.

O Lôbo e a Cegonha
Barão de Paranapiacaba (trad.)

Vorazes comem lobos;
Nada lhes vence a gana;
Eis o que fez um deles:
Em farta comezaina,

Tão sôfrego engolira,
Sua avidez foi tanta,
Que de través lhe fica
Um osso na garganta.

Sentindo-se engasgado
E sem poder gritar,
Julgou-se na agonia
E prestes a expirar.

Uma cegonha (ó dita !)
Passa dali vizinha;
Chamada por acenos,
vem acudi-lo asinha.

Com grande habilidade
Procede à operação;
Retira o osso - e a paga
Requer do comilão.

" A paga ! (exclama o lobo)
Comadre ! Estás brincando !
Pois não te deixo livre,
A vida desfrutando ?

Não me saiu dos dentes
Tua cabeça intata ?
Vai-te e das minhas garras
Cuida em fugir ingrata !"

 

A Turquia No Século XVI

(Como o tempo passa e modifica o mundo)

O mais forte Estado que pareça haver ao presente no mundo (século XVI), é o dos turcos: povos igualmente formados na estima das armas e no desprezo das letras. Roma, acho-a mais valorosa antes de tornar-se sábia. As mais belicosas nações dos nossos dias são as mais grosseiras e ignorantes. Servem de prova os citas, os partas e Tamerlão. Quando os Gôdos devastaram a Grécia, o que salvou do fogo todas as bibliotecas foi esta opinião, propalada por um deles: que era mister deixar aos inimigos todos aqueles trastes, próprios para desviá-los do exercício militar e entretê-los em ocupações sedentárias e ociosas. E quando, sem tirar a espada da bainha, o nosso rei Carlos VIII (1470-1498), se viu dono do Reino de Nápoles e de boa parte da Toscana, a atribuíram, os senhores do seu séquito, essa inesperada facilidade de conquista a andarem os príncipes e os nobres da Itália mais ocupados em fazer-se engenhosos e sábios do que vigorosos e guerreiros. (Michel de Montaigne 1533-1592)

Fonte: Montaigne, M. "Seleta dos Ensaios de Montaigne", liv. José Olympio, coleção Rubaiyát, Rio, 1961, vol. 1/3, 303 págs.

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